sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

10 passos para encarar de maneira mais saudável as festas de final de ano

Christmas dinner

Para aqueles que só enxergam a relação de amor e ódio quando o assunto é Natal, ou melhor, comida de Natal. E não me refiro à polêmica de colocar ou não uva passa no arroz! A questão é mais profunda do que isso. Há alguns anos postei algo parecido aqui, mas segue uma versão mais completa.

1 – Não faça dieta para o Natal, para o Reveillon, para o verão...
Aliás, não faça dieta nunca! Dietas podem causar obsessão por comida (lembra da Sara Goldfarb?), exageros e compulsões alimentares (principalmente pelos alimentos “proibidos”) e, acredite, ganho de peso! Dietas aumentam as chances de um indivíduo geneticamente predisposto de desenvolver um transtorno alimentar.

2 – Nos dias de festa, não passe fome ou fique em jejum!
Esta "estratégia" é um tiro no pé, pois, na intenção de economizar umas calorias, você provavelmente chegará à ceia com muita ansiedade, fome e correrá o risco de exagerar, até mesmo mais do que o planejado! Além disso, não vai ter tempo de mastigar devagar, saborear a comida, e perceber os sinais de fome e saciedade.

3 – Antes de fazer o prato, olhe todas as opções da mesa.
Em ocasiões como esta tem comida da tia, da avó, do pai, do periquito, do papagaio... Lembra do post sobre alimentação no Self Service? É a mesma coisa. Quando olhamos todas as preparações disponíveis ANTES de começar a montar o prato, evitamos pegar comida em excesso e faltar espaço para colocar justo aquela preparação que mais gostamos. Experimente um pouquinho de cada. Gostou? Repita sua preferida.

4 – Valorize a cultura alimentar da época e da sua família.
Quando no ano temos a oportunidade de comer peru, chester, tender, panetone, rabanada, etc, em uma única refeição? Dê uma chance a você mesmo e valorize tudo de bom que este momento tem a oferecer. E em paz. Além disso, cada família tem um prato típico que só o avô, a mãe, a bisa sabe fazer. Uma receita de outro país, outro estado e que não tem receituário, é tudo a olho, não dá pra explicar! Se você acha que não tem, tente descobrir este ano :)

5 – Desvie o foco da mesa.
Comer é prazeroso e é uma parte importante das festas, mas não é a única. Quando houver oportunidade circule, converse com pessoas que não vê há um tempo, saia para ver a noite, os fogos, as luzes, veja a decoração, dance, brinque com o cachorro...

6 – Não fique com todas as sobras.
Não conhecia esta frase, ouvi pela primeira vez de um paciente: “o que engorda não é o que a gente come entre o Natal e o ano novo, mas o que comemos entre o ano novo e o Natal”. Achei muita graça do modo como ele falou! É normal comer a mais do que estamos acostumados nas festas de final de ano. Mas para evitar exageros (e até a monotonia), uma boa alternativa e dividir as sobras com os convidados.

7 – Desencane do dia seguinte.
Fique tranquilo, nosso corpo sabe como lidar com excessos eventuais e tudo volta ao “normal” sem que você precise passar fome no dia seguinte, pular refeições ou fazer uma dieta. Assim como é impossível perder em 10 dias os quilos acumulados em 10 anos, também é absurdo ganhar peso de forma significativa em 1 única refeição! Se isto fosse possível eu seria a melhor nutricionista da UTI, por descobrir o fim da caquexia dos pacientes com insuficiência cardíaca, por exemplo...

8 – Tente descansar.
Alguns estudos mostram que dormir menos de 6h por dia aumenta a secreção de grelina, um hormônio responsável pela fome e reduz a de leptina, um hormônio envolvido na saciedade. Além disso o stress de noites mal dormidas e em relação à alimentação aumenta a liberação de cortisol, que em longo prazo aumenta o açúcar no sangue e leva ao ganho de peso, sobretudo na região abdominal.

9 – Respeite o seu corpo.
Não conte calorias! Ouça seus sinais internos de fome e saciedade, respeite sua vontade, coma devagar, tente adivinhar os temperos das preparações, perceba as diferenças de textura, a temperatura dos alimentos e pare de comer quando estiver satisfeito.

10 – Faça planos concretos e possíveis.
Muitas pessoas procuram o nutricionista com o objetivo de emagrecer. Mas antes de passar fome achando que assim será bem sucedido ou tentar dietas mirabolantes, defina melhor seu objetivo. Pense em começar o ano comendo melhor (ao invés de comer menos), tentando se exercitar mais, encontrar uma atividade que dê prazer (e não necessariamente aquela que gaste mais calorias), com metas mais concretas, isto é, não procure ter o corpo de alguém, procure o melhor do seu próprio corpo!

Feliz Natal e um excelente, próspero e saudável 2017!


E a pergunta que não quer calar: Coloco ou não passa no arroz?

Posts relacionados: Projeto verão. Só que não., Receita: escondidinho de bacalhauReceita: lascas de chocolate gourmet.

Referências:
1. Polivy J, Zeitlin SB, Herman CP, Beal AL. Food Restriction and Binge Eating: A Study of Former Prisoners of War 1994; 103(2):409-411.
2. Field AE et al. Relation Between Dieting and Weight Change Among Preadolescents and Adolescents. Pediatrics 2003; 112(4):900-906.
3. Pietiläinen KH, Saarni SE, Kaprio J, Rissanen A. Does dieting make you fat? A twin study. Int Journ of Obes 2012; 456-464.
4. Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso). Diretrizes Brasileiras de Obesidade 2009;1-85.
5. Ministério da Saúde. Guia Alimentar Para a População Brasileira 2014;1-145.
6. Maior AS. Regulação hormonal da ingestão alimentar: um breve relato. Medicina (Ribeirão Preto) 2012; 45(3): 303-9.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Engorda ou emagrece?


Abacate engorda? Glúten engorda? Lactose engorda? Óleo de coco emagrece? Pimenta emagrece? Tomar vinagre morno em jejum emagrece? Olha... Este último, se emagrece eu não sei, mas que deve ser horrível, deve!

Brincadeiras à parte, atire a primeira pedra o nutricionista que nunca ouviu uma pergunta dessas!

Quem acompanha o Fome de quê? está cansado de saber que nenhum alimento por si só promove ganho ou perda de peso e que o que determina isso é a quantidade e frequência na qual comemos determinados alimentos. Aliás, é esta a definição de dieta, o conjunto de alimentos e bebidas que ingerimos ao longo de um período, sem o sentido de privação ou rigidez atrelado.

Existem conceitos cuja resposta não é apenas “certo” ou “errado”, “sim” ou “não”. Vale relembrar o texto que escrevi sobre os cinquenta tons de cinza...

Exemplo: Comer alface é saudável?

Não comer alface, é saudável?

E comer SÓ ALFACE, é saudável?

Alface é uma verdura com alto teor de água, contém fibras, algumas vitaminas, minerais, tem poucas calorias e pode ser servida como entrada, acompanhamento ou prato principal. Fica ótima com um belo molho à base de azeite, sal, orégano, vinagre balsâmico ou tempero de sua preferência. Quem não a consome, pode perfeitamente substituir por alguma outra folha... A alface, por outro lado, não tem quantidade significativa de proteínas, lipídeos, vitaminas como a K, e minerais como ferro, por exemplo.

Assim como sorvete. É consenso de que não é uma boa ideia comer banana split todos os dias... Ou substituir uma refeição por banana split para tentar “economizar calorias”. Tampouco vale passar a semana toda à base de dietas malucas, restritivas, e acabar com 1L de sorvete numa sentada só. Mas é perfeitamente saudável aproveitar aquela casquinha num dia de calor num passeio com a família, ou estar em um lugar diferente, numa viagem, e provar o melhor gelato da sua vida!

Percebe que é inviável depender de um único alimento ou tipo de alimento?

Ainda que existisse um “superalimento”, completo em macro e micronutrientes, seria este palatável? Conseguiríamos viver dele todos os dias e em todas as refeições? Será que este “alimento mágico” resistiria às variações climáticas? Atenderia a todas as nossas necessidades quanto seres humanos, com poder de escolha, vontades, vida social, questão sociocultural, variações hormonais? Cairia no gosto de todas as culturas?

Desconfie de promessas milagrosas. Não aposte todas as suas fichas num só alimento, produto, dieta, porque a ciência da nutrição está em constante evolução.

Vide a saga da margarina, coitada! Uma hora surgiu para salvar a pátria e combater o perigo do desenvolvimento de doenças cardiovasculares, potencialmente desencadeadas por um elevado consumo de gorduras saturadas presentes no vilão manteiga. Depois descobriram que o mocinho estava mascarado, cheio de gordura trans, que era pior do que a mosca do cocô do cavalo do bandido. Então a hidrogenação do processo de fabricação da margarina foi substituída pela interesterificação... E agora, é saudável? Não sei! – E mesmo que estudos longitudinais apontem um real malefício ou benefício do alimento X, Y ou da dieta do Mediterrâneo ou do raio que parta, nunca haverá unanimidade entre os especialistas.

Terry Border

Melhor do que pensar no que “emagrece” ou “engorda” é pensar na QUALIDADE da alimentação. A melhor escolha é sempre a moderação, a variedade, ouvir seu corpo e respeitar sua cultura, raízes, vontades, com muito carinho e respeito.

Referências:

1. Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (TACO) [base de dados na Internet]. Campinas: UNICAMP. [acesso em 2016 out 18]. Disponível em: http://www.unicamp.br/nepa/taco/tabela.php?ativo=tabela


2. Xavier HT, Izar MC, Faria Neto JR, Assad MH, Rocha VZ, Sposito AC, Fonseca FA, dos Santos JE, Santos RD, Bertolami MC, Faludi AA, Martinez TLR, Diament J, Guimarães A, Forti NA, Moriguchi E, Chagas ACP, Coelho OR, Ramires JAF; Sociedade Brasileira de Cardiologia. V Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Diretriz de Prevenção da Aterosclerose. Arq Bras Cardiol 2013; 101(4 Suppl 1):1-36.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Receita do dia: Bolo rosa


Adoro experimentar coisas novas, misturar ingredientes pra ver se fica bom (o “não” a gente já tem, certo?!) e, se der certo, a gente passa a receita adiante! 

Eu havia comprado alguns legumes orgânicos e eles estavam ali na geladeira, meio capengas, querendo estragar... Nada de desperdício! Fui procurar uma receita na internet e, como era domingo, nada melhor do que um bolo pra acompanhar um café!

Para minha surpresa, não encontrei bolos que utilizassem exatamente estes dois legumes juntos. Já estava desistindo, quando me lembrei de uma receita que fazíamos lá na USP, quando eu participava da Empresa Jr de Nutrição, que era de laranja, beterraba e cenoura. Como bem observado, eu não tinha as laranjas... Mas tudo bem, foi daí que saiu o doce improviso:

Ingredientes
- 1 cenoura média, crua, descascada e fatiada
- 3 beterrabas pequenas, cruas, descascadas e fatiadas
- 3 ovos
- 1 ½ xícara (chá) de açúcar
- ¾ xícara (chá) de óleo vegetal
- 1 ½ xícara (chá) de farinha de trigo
- 1 xícara (chá) de aveia em flocos finos
- ½ xícara (chá) de semente de chia
- 1 colher (sopa) de fermento químico em pó

Modo de preparo
- No liquidificador, coloque a cenoura, as beterrabas, os ovos, o açúcar e o óleo e bata por aproximadamente 5 minutos. Como o bolo tem as fibras dos legumes e aveia, bater bem no liquidificador ajuda o bolo a ficar mais homogêneo, crescer e ficar mais fofinho.
- Em um recipiente, junte a farinha, os flocos de aveia, a chia e o fermento.
- Aos poucos, despeje a mistura do liquidificador aos ingredientes secos do recipiente, incorporando e mexendo suavemente, até que esteja homogêneo. Esta etapa também é fundamental pois, ao misturar delicadamente os ingredientes, garantimos o crescimento da massa pela ação do fermento.
- Despeje a mistura em uma assadeira untada e enfarinhada e leve ao forno preaquecido a 180 ºC por 30 minutos ou até que esteja cozido. Para saber se já está cozido, vale o bom e velho teste do palito: espete um pálido de dentes no bolo e, se sair limpinho, é porque está pronto. Se sair com muito resíduo, deixe no forno por mais alguns minutinhos.


Dificuldade: Fácil
Rendimento: 16 porções
Tempo de preparo: 40 minutos

Dica
Você pode acrescentar 2 colheres (sopa) de cacau em pó à massa, fica uma delícia! Mas já adianto que o bolo não será mais rosa...

Este bolo integral de cenoura com beterraba foi bem recebido por colegas ovovegetarianos, ovolactovegetarianos, intolerantes à lactose e até mesmo pelos mais céticos! 

Também agrada facilmente às crianças pelo sabor e cor, sendo uma boa alternativa àquelas resistentes a experimentar novos alimentos, além de ser fonte vitamina A, vitaminas do complexo B, gorduras mono e poli-insaturadas e fibras.

Já falei muito sobre elas, mas vale lembrar que as fibras conferem maior sensação de saciedade, ótimo para quem deseja emagrecer, auxilia no funcionamento do intestino e ajuda a controlar os níveis de açúcar e colesterol do sangue.

A chia, sem dúvida, deu um “up” no valor nutricional da receita, mas, mais do que isso, deu um toque crocante incrível!

Caso você não tenha beterraba e cenoura em casa, e mesmo assim quiser fazer variações dessa receita (com outros legumes, tubérculos, frutas, verduras, outras farinhas, etc), conte aqui nos comentários. Vou adorar saber como ficou!

Sem “detox”, sem propaganda enganosa.
Apenas um bolo rosa.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

31 de Agosto - Dia do Nutricionista!

ARCIMBOLDO, G. Porträtt, Rudolf II som Vertumnus. 1590. 1 original de arte, óleo sobre tela, 70 cm X 58 cm 

Hoje é dia do profissional erroneamente conhecido como o fiscal da geladeira, do prato (e do corpo!) alheio. Alto lá! Pão, pão, queijo, queijo!

Hoje é dia do profissional que utiliza todo seu conhecimento não para olhar, mas enxergar. Não para escutar, para ouvir. E quando ouvir não julgar, acolher.

Hoje é dia daquele que cuida de seus pacientes com açúcar, com afeto. Que torce pela sua independência e autonomia, para que tenham a faca e o queijo nas mãos.

Que não dá bronca, orienta. Mesmo porque, pimenta nos olhos dos outros é refresco...

Que não dá ordens, põe a mão na massa para que em conjunto pensem em uma solução prática rumo a uma vida mais saudável.

Saudável. De nada adianta fazer dietas malucas e por fora ficar bela viola, por dentro, pão bolorento!

Se sua batata está assando mas você acha que é só de pequeno que se torce o pepino, calma, para tudo se dá um jeito.

E não pense que nutricionista é tudo farinha do mesmo saco não... Há quem seja como caixa de goiabada cascão! (e acha sim!).

Sem querer puxar a brasa para a minha sardinha, mas... Apesar de, às vezes, comer o pão que o diabo amassou, ser nutricionista é bom demais!


Feliz dia do nutricionista!

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Desconecte para reconectar - e a história da pipoca velha


Você certamente já deve ter ouvido o nutricionista falar “evite comer em frente à TV, celular, tablet, computador, video game, etc”, certo?

E por que isso? Porque o nutricionista é um sádico chato que gosta de boicotar a diversão alheia? Bem, não (eu espero)! O que acontece é que a distração pode fazer com que você coma mais e, ao longo dos anos, isso pode resultar em ganho de peso.

Pois foi esta uma das conclusões a que pesquisadores norte americanos chegaram ao conduzir um estudo em 2011.

Os 158 participantes foram aleatoriamente divididos para assistir a trailers de filmes em uma sala de cinema ou clipes de música em uma sala de reuniões. Foi-lhes dito que a pesquisa era sobre interesses em música ou cinema, ou seja, deveriam ficar atentos ao que seria exibido.

Além disso, ao entrar no cinema ou sala de reuniões, eles deveriam informar o horário em que fizeram a última refeição e dar uma nota, numa escala de 5 pontos, à fome naquele momento.

Todos receberam um copo d’água e um saco de pipocas e deveriam informar, após a sessão, se tinham hábito de consumir pipoca quando iam ao cinema, a fome após a sessão, e dar uma nota, numa escala de 7 pontos, à pipoca que receberam.

O que eles não sabiam é que... Metade dos participantes receberam pipoca estourada 1 HORA antes da sessão e, a outra metade... Tchan tchan tchan tchaaaaan... Pipoca estourada 1 SEMANA antes da sessão!

E você acha que alguém percebeu? Uns mais, outros menos, mas, assistindo às atrações, todos comeram pipoca!



Inclusive os que não tinham hábito de comer pipoca no cinema comeram mais na sessão de trailers do que os que estavam na sala de reuniões e que também não tinham o hábito. Isto evidencia que também somos sugestionados pelo ambiente.

Mas os pesquisadores não pararam por aí... Eles quiseram também investigar se a interrupção do “automatismo” mudaria alguma coisa. Então, repetiram o estudo e, desta vez, enquanto metade dos participantes comeriam pipoca “normalmente”, a outra metade foi instruída a pegar a pipoca somente com a mão não dominante, ou seja, destros comiam com a mão esquerda e canhotos com a direita!

E o que aconteceu?

Os que passaram a comer com a mão não dominante comeram muito mais da pipoca fresca, crocante, salgadinha e saborosa, estourada 1 hora antes da sessão, e quase não encostaram na pipoca velha, murcha, fria, rançosa, isopor...

A partir do momento que romperam a atividade automática e tiveram que prestar atenção no movimento do percurso pipoca-boca boca-pipoca, passaram a reparar não só mais naquilo que estavam assistindo, mas no que e como comiam. Assim, o fator “paladar” sobressaiu e o fator “dificuldade” os desencorajou a continuar comendo as pipocas velhas.

O quadro a seguir retirado do artigo mostra, portanto, que melhores notas foram dadas à pipoca “fresca” e notas mais baixas dadas à “velha” entre os participantes que comeram com a mão não dominante no 2º estudo.

No 1º estudo praticamente não houve diferença entre as notas.

Já na próxima figura podemos ver que os que referiram ter hábito de consumir pipoca no cinema, comeram, no 1º estudo, até mais a pipoca “velha” do que “fresca” e, com a mão não dominante, no 2º estudo, este público passou a comer (e gostar) mais das “frescas” às “velhas”.

No entanto, dentre aqueles que já não tinham o hábito de consumir pipoca no cinema, comeram mais da “fresca” e menos da “velha” no 1º estudo e, no 2º praticamente não houve diferença.


Longe de mim contraindicar o consumo de pipoca no cinema, ou debaixo do edredom, apreciando sua série favorita na TV! Mas isto deveria se aplicar às refeições do dia a dia, nos preciosos minutinhos que temos para saborear nosso corrido almoço de cada dia.



"Conversamos" um pouco disso no texto sobre o paradoxo francês, onde mostrei as diferentes motivações que levam indivíduos de diferentes culturas e nacionalidades a comer. A cada dia que passa, aquela ideia (obsoleta) de que "obesos são obesos porque são glutões, gostam de comer" cai por terra, pois, nos alimentar vai além na necessidade física e biológica. Depende também do ambiente, do acesso e disponibilidade de alimentos, do modo como comemos, dos nossos sentimentos, da companhia (ou falta de), da motivação, tempo, planejamento das refeições, etc.

Comer é, com certeza, um dos maiores prazeres que temos na vida. Então por que abreviar este momento? Tire um tempo pra você. Desconecte-se do mundo e conecte-se com seu corpo, sua mente. Você merece!




Referência:

Neal DT, Wood W, Wu M, Kurlander D. The Pull of the Past: When Do Habits Persist Despite Conflict With Movies. Pers Soc Psychol Bull 2011; 37:1428-1437.