segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Mito ou Verdade? Beber cerveja dá barriga?




Este post é um pedido de alguns rapazes que deixaram comentários aqui no blog! Confesso que fiquei muito na dúvida a respeito do veredito!... Antes que saiam por aí espalhando pra todo mundo que “a nutri disse que tá liberado”, vou ter que afirmar uma coisa e fazer as devidas ressalvas, certo?

 
Bebidas alcoólicas em geral são calóricas porque o álcool fornece 7 Kcal/g, que é mais do que os carboidratos e as proteínas (que fornecem 4 Kcal/g). A cerveja é tão ou menos calórica do que outras bebidas, como vinho, whisky, vodka, cachaça, coquetéis, etc.

Como já dissemos aqui e aqui no blog, não existe um nutriente específico que contribua para o ganho de peso, mas o consumo excessivo de calorias (ingestão maior que o gasto) promove sim o ganho de peso. Porém, o acúmulo de gordura é generalizado, ou seja, engordamos por inteiro. A mesmo coisa acontece quando fazemos atividades aeróbicas para emagrecer – não conseguimos perder só a barriga, a perda de gordura também acontece no corpo todo.

Porém, algumas pessoas tendem a acumular a gordura no abdome. Isto é mais comum em homens, mas algumas mulheres também acumulam gordura na região abdominal. Parte disto quem determina é a genética.

Outra coisa a ser considerada é que muitas vezes, junto com o consumo das bebidas alcoólicas, há o hábito de petiscar salgadinhos e frituras cheios de gordura que somadas às calorias das bebidas pode contribuir para o ganho de peso, e sódio, que em excesso retém líquidos.

Além da questão das calorias, a cerveja é uma bebida fermentada e seu consumo pode levar à produção de gases e uma consequente barriguinha. Mas este desconforto é passageiro.

Portanto... Considerando o consumo moderado, de todas as bebidas alcoólicas (não só a cerveja) e os demais pontos levantados, trata-se de um


No entanto, isto se aplica para quem bebe álcool em grandes quantidades e frequência.

A gordura que ganhamos ao ingerir calorias em excesso é acumulada sob a pele e é relativamente fácil de perder. No entanto, ingerir bebidas alcoólicas em excesso eleva os níveis de triglicérides no sangue e isso favorece o acúmulo de gordura visceral abdominal.

Além disso, a longo prazo podem aparecer problemas no fígado, como hepatopatia, hepatite alcoólica e cirrose. Estas condições frequentemente levam à desnutrição e causam ascite, acúmulo de líquido no abdome.

Ascite
 
Referência:

Hasse JM, Matarese LE. Terapia Nutricional para Distúrbios do Fígado, Sistema Biliar e do Pâncreas. In: Mahan LK, Escott-stump S. Krause: Alimentos, Nutrição & Dietoterapia. 11ªed. São Paulo: Roca; 2005. P.704-30.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Projeto verão. Só que não.



Como ter um "corpo de praia"? 1. Tenha um corpo 2. Vá à praia - (*beach body refere-se a um estereótipo de "corpo perfeito" ou "adequado" no contexto de ir à praia)
Já estamos em dezembro! Sol, calor, pouca roupa, biquíni, mar, piscina, picolé, camarão frito, férias, viagem... E também tem o Natal, comida da mãe, da tia, da avó, panetone, rabanada, peru, comida salgada misturada com doce que você não sabe se é doce ou salgada mesmo... Ai, calma! Preciso emagrecer!

O verão 2013 só começa no final de dezembro, mas todo ano é a mesma coisa – promessa de emagrecer no ano novo e pânico com a aproximação do final do ano. É engraçado, parece até que as pessoas só lembram que têm umbigo no verão!

Ah, mas nas academias o “projeto verão” já está bombando! A moda deste ano não é mais a “barriga negativa”, é a “bunda na nuca”... Oi?

E nós nutricionistas, coitados, recebemos um monte de pedidos de dieta para emagrecer com saúde (claro, com saúde), até o dia da viagem, que é no final do ano. Só se for no final do ano que vem, porque emagrecer com saúde os quilos ganhados nos últimos anos em 1 mês é impossível, não dá. A não ser que você acredite em Papai Noel...

E por que não funciona? Porque começam errado! As pessoas não tem que emagrecer para o verão. Não tem que emagrecer para entrar no biquíni, no vestido X ou para ir ao casamento. Para emagrecer, qualquer dieta maluca funciona, porque estamos pressupondo um período curto com data para começar e terminar. Depois da festa, do evento, do verão, com o término do “contrato”, digamos assim, é certeza de que os velhos hábitos e os quilos voltarão.

E outra, por que precisamos emagrecer para o verão? Você será incapaz de curtir suas férias porque não tem uma barriga chapada, coxas de passista de escola de samba ou braços do Johnny Bravo? E não venham com a desculpa de que querem emagrecer para ser saudável porque acabamos de ver que isto é impossível!

 
Existem muitas pessoas que se beneficiam com uma perda de peso? Sim, sem dúvida. A perda de peso pode refletir na diminuição da pressão arterial, reduzir problemas articulares, apneia do sono... Mas estas pessoas provavelmente passam por acompanhamento médico e nutricional e atingem estes objetivos com um tempo maior de acompanhamento e com mudanças positivas nos hábitos alimentares e estilo de vida em geral. E esta perda de peso não é para virar modelo, é uma perda de peso em torno de 10%...

A magreza hoje é tratada erroneamente como sinônimo de saúde, sucesso e felicidade. A juventude também é um pouco assim. Eu ainda não descobri quem inventou isso... Nessas horas penso na minha avó: 73 anos, imigrante, rugas, cabelos brancos, nenhuma plástica, eutrófica, mas sem bunda na nuca, nunca fez dieta (mas passou fome quando veio e antes de vir para o Brasil), nunca foi executiva, dona de casa, cozinha muito bem. É linda, alegre, fala palavrão, é elétrica, faz a gente chorar de rir, é cheia de vida e de histórias pra contar! A gente definitivamente não precisa se encaixar em um padrão pra ser feliz (ou fazer alguém feliz).

A perda de peso, o ganho de massa muscular, uma pele viçosa, cabelos macios, unhas fortes, disposição são reflexo da saúde, que vem com uma boa alimentação, com a prática de atividade física prazerosa e regular, estilo de vida. De vida, não são 3 meses, não é 1 ano, são todos os anos.

Alimentação saudável, aquela pautada na variedade de alimentos, cores e sabores, no prazer de comer, no ato de dividir com outras pessoas demora um tempo para ser colocada em prática. Tem altos e baixos, dias de excessos, dias de experimentar coisas diferentes, dias de “comida normal” e não tem estação do ano ou data pra acabar.

 

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Organizando a geladeira




Toda vez que aconselho alguém a modificar alguma coisa da sua casa sinto-me retraída, pois mudar antigos hábitos é difícil, sobretudo quando dizem a célebre frase “eu sempre fiz assim, minha mãe fazia assim, minha avó fazia assim e nunca ninguém morreu!”. É claro que cada um tem o direito de cozinhar e organizar a geladeira do jeito que quiser, mas a partir do momento que meus cuidados como nutricionista (não mais como Thaís) são requeridos, eu preciso me apoiar em evidências para melhor orientar e esclarecer as dúvidas.

Saber organizar a geladeira é importante por vários motivos: o primeiro é que alimentos são feitos de matéria orgânica, são vivos, repletos de água e nutrientes, portanto podem ser veículos de bactérias, vírus e fungos que causam doenças. É importante salientar que comida contaminada não tem necessariamente cheiro e/ou aspecto ruins! Além disso, a conservação adequada evita desperdícios e consequentemente reduz os gastos.

Além de prevenir doenças, uma geladeira organizada pode auxiliar na manutenção da saúde, facilitar a alimentação do dia a dia e estimular hábitos saudáveis por incentivar a ingestão de frutas, verduras e legumes.

1. Limpeza

De nada adianta ter um potinho lindo que você ganhou no chá de panelas ou manter a organização se sua geladeira estiver suja. Periodicamente esvazie sua geladeira, desligue-a da tomada e lime-a com detergente neutro, água fria e a utilização de uma esponja macia.

2. Primeira prateleira/gaveta (de cima para baixo)

A temperatura da parte de cima da geladeira são mais baixas (frias) do que da parte de baixo. Por isso colocamos em cima os alimentos que estragam mais rápido.
Neste compartimento coloque: carnes (carne bovina, peixe, frango, de porco...) e embutidos (salame, presunto, peito de peru, mortadela...).

3. Segunda prateleira

Ainda pensando que as baixas temperaturas conservam bem os alimentos, coloque: leite, derivados do leite (queijos, iogurtes, requeijão, manteiga...), sobras de alimentos (arroz, feijão, massas, legumes...) e ovos.

 
Pois é, ovos! Apesar de muitas geladeiras conterem compartimento para ovos na porta, não coloque-os ali, pois o ato de abrir e fechar a geladeira várias vezes ao dia promove a variação de temperatura, que prejudica a boa conservação dos ovos. Além disso, com a movimentação da porta, podem rachar. Nunca lave-os antes de guardar na geladeira, pois isso destrói a membrana natural dos ovos e deixam-nos porosos e susceptíveis à entrada de micro-organismos. Lave-os apenas antes de consumir.

4. Terceira prateleira

Nesta prateleira coloque: doces, sobras de alimentos e enlatados que foram abertos. Nunca guarde os enlatados abertos diretamente na lata – coloque em um recipiente de vidro ou plástico com tampa.

 
5. Quarta prateleira/gaveta

Deixamos aqueles alimentos que costumam durar mais tempo e/ou que são mais sensíveis embaixo. Sendo assim, reserve as partes de baixo para as frutas, verduras e legumes.
Deixá-los higienizados, secos e picados em recipientes como expliquei aqui pode ajudar na preguiça de incluir estes alimentos no dia a dia.


 
6. Porta

Coloque na porta os líquidos e temperos: água, sucos, vinagre, alimentos em conserva (vidro), molho à base de tomate, mostarda...

7. Dicas gerais

  • Evite guardar alimentos em recipientes sem tampa ou descobertos. Além do risco de contaminação a geladeira e sua comida podem ficar com odor/sabor desagradáveis. Se desejar acondicionar um prato de comida na geladeira, por exemplo, cubra-o com filme plástico. O mesmo se aplica para qualquer recipiente que não tenha tampa.
  • Guarde as sobras de alimentos ainda quentes para evitar o crescimento de micro-organismos. Lembre de cobrir/tampar cerca de 1 hora depois.
  • Para guardar sobras, principalmente se for aquecer no próprio recipiente, refira os de vidro ou de plástico sem Bisfenol A (BPA). O BPA é utilizado na fabricação de alguns plásticos e está relacionado a alguns tipos de câncer e desenvolvimento de obesidade.

Este é apenas um guia. Se a sua geladeira tiver mais ou menos prateleiras e gavetas, tente manter esta ordem, pensando no tipo de alimento e lembrando das temperaturas.

Referência:

Portaria CVS-5, de 9 de abril de 2013. Aprova o regulamento técnico sobre boas práticas para estabelecimentos comerciais de alimentos e para serviços de alimentação. Disponível em: http://www.cvs.saude.sp.gov.br/up/PORTARIA%20CVS-5_090413.pdf

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Alimentação infantil – 10 erros na educação alimentar das crianças




A introdução de alimentos à dieta deve ser iniciada no 6º mês de vida como complemento do aleitamento e tem a função de complementar o valor calórico e diversificar a oferta de nutrientes, essenciais ao crescimento e desenvolvimento normais da criança.

Para muitos pais, é aí que surge uma das maiores preocupações. Conforme a criança cresce, em alguns casos, a hora da comida se transforma em uma verdadeira batalha.

Antes de qualquer coisa precisamos entender que nosso hábito alimentar é influenciado por vários fatores, ambientais e genéticos, e pode ser moldado ao longo da vida.

Das dificuldades que podem surgir, como por exemplo a resistência da criança em comer certos alimentos e a preferência por outros, inapetência, influência de amigos na escola, as consequências podem ser a obesidade ou a desnutrição.

Além destas, podemos destacar a anemia. No Brasil, a prevalência em crianças menores de 5 anos é de 30% a 70% dependendo da região. Boa parte disso deve-se ao fato de que muitas vezes as refeições são substituídas por laticínios. “Meu filho come pouco arroz e feijão, mal tocou no bife, então ofereço um iogurte, que é um alimento saudável”. É a velha história de que o laticínio “vale por um bifinho”, um slogan difícil de ser vencido.

De fato leites e derivados são importantes fontes de cálcio, excelentes para o desenvolvimento dos ossos. Porém, o cálcio compete por absorção com o ferro (do feijão, da carne, das verduras verde escuras). Então o pouco do ferro que a criança ingeriu na refeição não será absorvido na quantidade que deveria.
 
Para auxiliar na educação alimentar das crianças, a ABESO (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica) publicou os “10 erros que não devemos cometer na educação alimentar da criança”.

1. Dizer sempre sim: A criança sem limites vai abusar das calorias e das guloseimas. Devemos ter um dia por semana e situações em que podemos ser mais liberais.

2. Lanches fora de hora: O ideal são 6 refeições diárias e evitar as beliscadas fora desses horários.

3. Oferecer comida como recompensa: “Coma toda a sopa para ganhar a sobremesa”. Passa a ideia de que tomar sopa não é bom e que a sobremesa é que é o máximo.

4. Ameaçar castigos para quem não cumpre o combinado: “Se não comer a salada não vai ganhar presente”. Isso somente vai aumentar o ódio que a criança sente das saladas.

5. Brincadeiras na mesa: Hora de comer é hora de seriedade, evitar fazer aviaozinho. Muito mimo é sinônimo de muita manha.

 
6. Ceder ao primeiro não gosto disso: a criança tem uma tendência a dizer que não gosta de uma comida que ainda não provou. Cada um pode comer o que quiser, mas pelo menos experimentar não custa nada.

 
7. Substituir refeições: Não quer arroz e feijão, então toma uma mamadeira. Esse erro é muito comum, e se a criança conseguir uma vez, vai repetir esta estratégia sempre.

8. Tornar a ida a uma lanchonete um programão: A comida de casa fica sem graça.

9. Servir sempre a mesma comida: A criança só toma iogurte, então passa o dia todo tomando iogurte. Vai enjoar, vão faltar nutrientes, vão faltar fibras.

10. Dar o exemplo: Não adianta mandar tomar sucos e somente beber refrigerantes.

 
Referências:

Ministério da Saúde. Saúde da criança: Nutrição Infantil: aleitamento materno e alimentação complementar. Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica [Internet]. 1ª ed. Distrito Federal: 2009; [acesso em 2013 Nov 15]. 112 p. Disponível em:
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/saude_crianca_nutricao_aleitamento_alimentacao.pdf

ABESO. Dicas: erros que não devemos cometer na educação alimentar da criança [Internet]. [acesso em 2013 Nov 15]. 1 p. Disponível em: http://www.abeso.org.br/pagina/27/::+10+erros+que+nao+devemos+cometer+na+educacao+alimentar+da+crianc.shtml